Manuel Adorni renunciou à chefia de gabinete do presidente argentino Javier Milei neste sábado (27). A saída ocorre após mais de três meses de pressão pública e investigações sobre o crescimento patrimonial do político, que se tornou o maior escândalo do governo.
O ex-braço direito do ultraliberal comunicou sua decisão por meio de uma carta publicada em rede social. Adorni afirmou que deixava a gestão com “consciência tranquila e firme de minhas convicções”. A pressão para seu afastamento começou em março deste ano, quando surgiram revelações sobre viagens da esposa do político com a comitiva presidencial sem função oficial.
As alegações mais graves envolvem uma viagem familiar às ilhas caribenhas de Aruba, com custos estimados entre US$ 14 mil e US$ 15 mil, e a aquisição de dois imóveis. Entre eles, há uma casa em nome da esposa em um condomínio a 80 km de Buenos Aires e um apartamento avaliado em US$ 230 mil no bairro de Caballito.
A situação financeira do político gerou grande impopularidade. Uma pesquisa do Ceop indicou que 78% dos argentinos consideravam que ele deveria renunciar. O presidente Milei, contudo, manteve apoio a Adorni, declarando publicamente que “Adorni é uma pessoa honesta” em maio.
A renúncia acontece semanas após manifestações de aliados. Uma presidente do Senado do partido de Milei afirmou que o político deveria provar a origem de seu patrimônio o quanto antes. A secretária-geral da Presidência, irmã do presidente, também manifestou apoio ao ex-funcionário.

