Pesquisadores analisaram o comportamento de cerca de 130 espécies para verificar se animais conseguem prever desastres sísmicos. Os estudos buscam entender se a fauna detecta sinais de terremotos por meio de estímulos físicos ou perturbações eletromagnéticas.
Relatos históricos, como a debandada de cobras na China em 1975, sustentam a tese de uma capacidade de premonição na fauna. Um levantamento detalhado no Parque Nacional de Yanachaga, Peru, monitorou animais antes de um sismo de magnitude 7,0. Os dados mostraram que a frequência de aparições dos animais declinou três semanas antes do abalo, com o desaparecimento quase total de roedores na última semana.
Outros estudos, como os do Instituto Max Planck, identificaram agitação em cães e desorientação em ovelhas 45 minutos antes de tremores na Itália. A comunidade científica esclarece que essa reação não é mística, mas sim uma resposta a estímulos físicos agudos, como as “ondas P” do sismo, que são imperceptíveis aos humanos.
Uma hipótese fundamentada sugere que o atrito nas placas tectônicas ioniza o ar e libera gases, criando perturbações eletromagnéticas. Esses sinais seriam captados pelos pelos, penas e olfato apurado dos animais. Embora o monitoramento ajude no alerta precoce, os cientistas alertam para a dificuldade de distinguir comportamento preventivo de variações cotidianas.

