O figo não é uma fruta, como muitos acreditam. Ele é, na verdade, uma flor invertida que possui um sistema para digerir a vespa-do-figo. Apesar disso, especialistas afirmam que ele não se enquadra na categoria de planta carnívora.
A digestão do figo constitui um mecanismo de defesa, conforme explica Paulo Minatel Gonella, professor do Departamento de Ciências Exatas e Biológicas da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Na natureza, a polinização é essencial para a produção de sementes férteis, e apenas a vespa-do-figo consegue acessar o pólen interno da flor.
Gonella esclarece que plantas carnívoras, por outro lado, vivem em solos com baixa concentração de nutrientes. Elas capturam insetos para complementar a ingestão de nitrogênio e fósforo, elementos vitais para sua sobrevivência.
O figo comercializado difere desse processo natural. Pesquisadores reproduziram a espécie geneticamente, resultando em frutos que contêm apenas flores internas femininas, dispensando a necessidade de polinização. Além disso, o alimento é ensacado durante o desenvolvimento, protegendo-o de pássaros, que são os responsáveis pela dispersão de sementes na natureza.

