Médicos alertam para o uso excessivo de celular entre idosos, que tem gerado dependência digital e preocupações com a saúde mental e o convívio social. Dados do IBGE mostram que a posse de celular na faixa etária de 60 anos ou mais cresceu de 66,6% em 2019 para 78,1% em 2024.
A crescente inserção dos dispositivos móveis na rotina da terceira idade preocupa profissionais de saúde. Segundo a psiquiatra Maria Benedita Reis, o uso constante pode levar idosos a negligenciar atividades como exercícios físicos e socialização. Ela explica que a solidão e a falta de oportunidades podem levar ao uso excessivo de aplicativos de entretenimento.
A geriatra Fernanda Sperandio, presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia do Estado (SBGG-ES), declarou que o tempo prolongado em telas está ligado à piora da qualidade do sono, ao aumento do sedentarismo e a dores musculoesqueléticas. Além disso, há impacto na saúde mental, como ansiedade.
Caroline Pupim, vice-presidente da SBGG-ES, comentou que a falta de políticas públicas inclusivas tende a isolar a população idosa no Brasil. O uso do celular, nesse contexto, funciona como ferramenta de compensação emocional, oferecendo distração e sensação de pertencimento.

