A Americanas busca convencer o mercado de que já é uma empresa diferente, concentrando esforços em eficiência operacional e geração de caixa. A companhia avança na reconstrução do negócio enquanto a Polícia Federal investiga a fraude contábil que levou à recuperação judicial.
A estratégia de reestruturação da varejista começou com a redução de sua rede. Desde janeiro de 2023, a Americanas fechou mais de 400 lojas, diminuindo sua estrutura de cerca de 1.880 para aproximadamente 1.448 unidades. A empresa também realizou desinvestimentos, como a venda de dez lojas deficitárias da rede Hortifruti Natural da Terra em São Paulo por R$ 69,3 milhões ao Oba Hortifruti.
O modelo de negócios mudou: a companhia deixou de focar na expansão do marketplace com milhares de vendedores e passou a usar o digital como extensão da operação física. O presidente da companhia, Fernando Soares, afirmou que a prioridade é o modelo O2O (online to offline), que conecta vendas digitais às lojas físicas. Em 2025, o varejo físico respondeu por 95% da receita líquida, contra 91% no ano anterior.
Os resultados do primeiro trimestre mostram avanço na disciplina de custos. A receita líquida cresceu 20,2%, atingindo R$ 3,1 bilhões, e o Ebitda ajustado voltou ao positivo, somando R$ 15 milhões. Contudo, a companhia encerrou o período com prejuízo líquido de R$ 336 milhões nas operações continuadas, uma redução de 24,8% em relação ao ano anterior.

