A Polícia Civil do Rio Grande do Sul deflagrou a Operação Placebo e identificou um esquema de fraude envolvendo a falsificação de medicamentos para pacientes com câncer. A investigação, que apura o uso de recursos públicos, começou após a descoberta de embalagens com erros de grafia no tratamento com o fármaco Enhertu.
A operação, que cumpriu 57 mandados de busca e um de prisão, mira um grupo suspeito de fraudar concorrências e utilizar empresas de fachada na aquisição de medicamentos oncológicos. O empresário preso, apontado como articulador, negou as acusações e afirmou que os itens apreendidos foram descartados por controle de qualidade.
Segundo o delegado Daniel Severo, o esquema envolvia a captação de pacientes por um oncologista, que encaminhava os casos a advogados ligados ao grupo. O Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul (Cremers) informou que instaurará sindicância para apurar a situação.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já havia proibido a comercialização de um lote do Enhertu em fevereiro deste ano, após a fabricante Daiichi Sankyo Brasil comunicar irregularidades, como frascos com dimensões maiores e tampas com características diferentes do padrão original.

