Venezuelanos utilizam grupos de WhatsApp como rede improvisada para localizar vítimas e obter informações sobre os danos causados por dois terremotos de grande magnitude que atingiram a costa caribenha do país em 24 de junho. Com as autoridades divulgando dados limitados, a comunidade em diáspora e no país usa as plataformas para registrar desaparecidos e compartilhar relatos de destruição.
Os grupos, que contam com mais de novecentos participantes, surgiram em resposta à escassez de dados oficiais sobre sobreviventes e vítimas. Voluntários organizam registros não oficiais de desaparecidos, verificam relatos sobre mais de dois mil prédios danificados ou destruídos e repassam a localização de milhares de pessoas presas sob escombros.
Um pesquisador de comunicação da Universidad Católica Andrés Bello afirmou que essas redes preenchem um “vazio ensurdecedor de informações por parte do governo”, surgindo por necessidade e colaboração. Em casos como o de um edifício residencial na costa, um venezuelano no Chile ajudou a confirmar a morte de quatro pessoas após ser acionado por um pedido de ajuda.
Outros participantes, como um morador em San Diego, no estado de Carabobo, conseguiram reunir uma criança com sua família ao organizar dados em grupos. Apesar da esperança que cada notificação traz, os participantes expressam frustração com a resposta governamental, que, segundo relatos, não reflete a dimensão da catástrofe.

