O mercado informal de canetas emagrecedoras pode responder por mais da metade das doses consumidas no Brasil, segundo estudo da Scanntech. O uso desses medicamentos cresceu 239% no primeiro trimestre de 2026, impulsionado por motivações além das indicações médicas.
A análise da Scanntech utilizou a evolução das vendas de seringas em farmácias como base para estimar o consumo total de canetas. A diretora de marketing da Scanntech, Priscila Ariani, explicou que o excedente nas vendas de seringas de insulina sugere que mais de 50% das doses de GLP-1 em circulação no país estão sendo consumidas fora do mercado formal desde o último trimestre de 2025.
A pesquisa quantitativa revelou que o combate à obesidade é a principal motivação declarada para o uso do GLP-1, citada por 29,5% dos usuários. Outras motivações incluem perda rápida de peso (28,6%) e manutenção de peso (24,1%). A maior concentração de consumidores é observada em mulheres de 25 a 34 anos, com renda mensal entre R$ 22 mil e R$ 32 mil.
O impacto do consumo também se reflete em outras categorias de produtos, como alimentos frescos (+11,5%) e suplementos proteicos (+9,1%). A diferença entre a pesquisa de consumidores e o estudo de varejo indica que parte dos usuários pode não declarar a origem não formal do medicamento.

