Quatro mil trezentas e trinta pessoas foram vítimas da letalidade policial em 2025, um aumento de 6,4% em relação ao ano anterior, segundo a Rede de Observatórios da Segurança. O estudo, intitulado “Pele Alvo”, aponta que jovens negros de até 29 anos representam 64,8% dos mortos em nove estados brasileiros.
A pesquisa, que analisou dados de nove estados, incluindo São Paulo e Rio de Janeiro, concluiu que, na média dos locais monitorados, pessoas negras sofrem quatro vezes mais risco de serem mortas pela polícia do que pessoas brancas. Os mortos são majoritariamente homens, residentes de periferias ou favelas. Deste total, 312 vítimas eram crianças e adolescentes.
O relatório também destacou a opacidade dos dados fornecidos pelas secretarias de segurança. Pesquisadores apontaram que estados como Maranhão e Ceará utilizam a categoria “não informado” para ocultar o perfil racial de 54,9% e 57,5% de suas vítimas, respectivamente. O instituto afirmou que a falta dessas informações configura uma omissão que invisibiliza o recorte racial da letalidade estatal.
A dinâmica da violência também se reconfigurou com a expansão de facções criminosas para o Norte e Nordeste. O estudo indicou que, em quatro estados, o número de mortes atingiu o maior registro histórico desde 2019. Em São Paulo, por exemplo, foram registradas 834 mortes em 2025.

