Mais de 8 mil pessoas morreram em ações policiais no Rio de Janeiro desde 2019. Os dados, divulgados pela Rede de Observatórios, mostram que em 2025 houve 800 mortes, um aumento de 13,8% em relação a 2024. O levantamento aponta que negros têm seis vezes mais chances que brancos de morrer em operações policiais no estado.
O boletim “Pele Alvo: entre racismo e letalidade, o amanhã” detalha o impacto da violência contra populações pretas em nove estados. Segundo pesquisadores, a maioria das vítimas é composta por homens negros e jovens. O Rio de Janeiro registra a terceira maior taxa de mortes em ações policiais entre os estados analisados.
José Vicente Filho, ex-secretário nacional de Segurança Pública, afirmou que as estatísticas indicam um “descontrole” das forças policiais, apontando fatores políticos para a persistência do problema. A pesquisadora Manuela Peclat, da Rede de Observatórios, explicou que o aumento dos registros reflete a falta de uma política efetiva de segurança pública para combater o crime organizado.
O estudo também destacou a letalidade em megaoperações, citando a ação Contenção no Complexo do Alemão em outubro de 2025, que levou mais de 120 mortes e foi classificada como a mais letal do país. A análise racial mostrou que, embora negros e pardos representem 57,8% da população fluminense, esse grupo corresponde a 89,5% das vítimas de letalidade policial.

