Pessoas negras representam mais de 93,9% das mortes decorrentes de intervenção de agentes de segurança pública na Bahia, conforme estudo da Rede de Observatórios da Segurança. O levantamento, divulgado nesta quarta-feira (1º), analisou dados de 2025 e mostrou que a taxa supera a proporção de negros no estado, que é de 79,7%.
O estudo “Pele Alvo: entre racismo e letalidade, o amanhã” aponta que, no último ano, o total de mortes por intervenção policial na Bahia atingiu 1.243 pessoas. A maioria das vítimas são jovens, do sexo masculino, residentes em periferias e favelas. Silvia Ramos, cientista social e diretora da Rede de Observatórios da Segurança, declarou que os dados demonstram um padrão, e não casos isolados, com a juventude negra das periferias sendo a principal vítima da letalidade policial.
A pesquisa também revelou que pessoas negras correm quatro vezes mais risco de serem mortas pela polícia do que pessoas brancas. Larissa Neves, pesquisadora do Observatório de Segurança da Bahia da Iniciativa Negra, explicou que a situação reflete a herança da escravidão no Brasil. Ela afirmou que o Estado não promoveu políticas de reparação após a abolição, consolidando mecanismos de controle social sobre populações negras.
A pesquisadora pontuou que essa configuração histórica organiza a sociedade com conceitos racistas, definindo quais corpos são percebidos como perigosos. O estudo indica que este é o quinto ano consecutivo em que a Bahia registra mais de mil mortes por intervenção policial. A Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) não respondeu a pedidos de esclarecimento sobre medidas de redução da letalidade.

