A Controladoria Geral do Estado (CGE) descobriu que todos os 77 órgãos públicos do governo do Rio de Janeiro possuíam funcionários fantasmas em suas folhas de pagamento. A investigação, que classificou servidores comissionados como de “alta criticidade”, resultou em uma onda de demissões iniciada pelo governador em exercício, Ricardo Couto.
O cruzamento de dados da CGE indicou que os servidores irregulares não passavam por catracas físicas, não faziam login em computadores e não acessavam o Sistema Eletrônico de Informações (SEI), ferramenta obrigatória para documentos oficiais. A maioria desses funcionários possuía laços políticos com a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), com a gestão anterior ou com ex-titulares de secretarias.
As demissões já exoneraram mais de 4.283 comissionados, visando aliviar o caixa do estado. As maiores reduções de cargos comissionados ocorreram na Secretaria de Trabalho, com corte de 78,6%, e na Secretaria de Esporte e Lazer, com redução de 75,6%. Até o momento, 60 dos 77 órgãos concluíram a auditoria, projetando uma economia anual de R$ 355 milhões.
O esquema levou à extinção de subsecretarias, como na Secretaria de Estado do Ambiente e Sustentabilidade (Seas) e na Casa Civil. Em depoimento, alguns comissionados alegaram realizar “trabalho externo”, mas foram confrontados pela auditoria. O governo estadual estabeleceu regras rígidas, proibindo o retorno dos servidores demitidos sob suspeita de fraudes ao seu órgão de origem.

