Permanecer sentado por longos períodos, comum na rotina moderna, reduz o gasto de energia e compromete mecanismos vitais para o controle de açúcar, gordura e circulação. Especialistas apontam que o risco cresce significativamente após seis a oito horas diárias na cadeira.
O ortopedista Guilherme Foizer afirmou que o fator determinante não é o ato de sentar, mas a duração ininterrupta. O corpo reage à imobilidade com lentidão metabólica e circulação ineficiente. Músculos grandes, como os das coxas e glúteos, deixam de atuar adequadamente, o que diminui a quebra de gorduras no sangue e piora a sensibilidade à insulina.
A inatividade também impacta a circulação. A musculatura das pernas funciona como bomba auxiliar para o retorno venoso ao coração. O cirurgião cardiovascular Ricardo Kazunori explicou que esse cenário favorece inchaço e aumenta o risco cardiovascular a longo prazo. Um estudo de 2024, acompanhando mais de 480 mil pessoas, indicou que trabalhadores sentados tinham 34% mais risco de morte por doenças cardiovasculares.
O impacto se estende à postura. O ortopedista Alexandre Penna comentou que longas horas na mesma posição causam desequilíbrio muscular, podendo levar à “amnésia glútea”, sobrecarregando a lombar. Embora o exercício ajude, ele não compensa totalmente o sedentarismo. A recomendação mais citada é a interrupção frequente: um estudo da Universidade Columbia mostrou que cinco minutos de caminhada a cada 30 minutos reduz picos de glicose.

