A implantação de novas ciclovias e parques em São Paulo estimulou a prática de atividades físicas e promoveu ganhos à saúde coletiva, conforme um estudo analisou o comportamento de 1.500 moradores entre 2014 e 2024. Os pesquisadores constataram que o acesso a ciclovias próximas foi fator determinante para o aumento do ciclismo na metrópole.
Segundo a pesquisa, que foi apoiada pela Fapesp, a malha cicloviária da cidade cresceu de 242 km em 2014 para 743 km em 2024, e foram adicionados 15 parques municipais. Alex Florindo, professor da Universidade de São Paulo (EACH-USP) e coordenador do estudo, afirmou que o aumento da oferta de espaços públicos evidencia como as mudanças urbanas estimulam o deslocamento ativo, como o ciclismo.
Os autores argumentam que a atividade física regular reduz riscos de doenças cardiovasculares e câncer, e melhora a saúde mental. Assim, a integração de ciclovias no planejamento urbano é vista como uma estratégia de saúde pública, pois reduz a dependência de automóveis e a poluição do ar. Os dados indicaram que a proporção de domicílios próximos a novos equipamentos cicloviários saltou de 22% para 33,2% no período.
Apesar dos avanços, os pesquisadores apontam que a expansão das ciclovias se concentrou nas regiões mais ricas. Florindo declarou que é preciso implantar mais infraestrutura nas zonas leste e sul. Além disso, o estudo identificou que o ciclismo não cresce muito por questões como o custo da bicicleta e o perfil de praticantes, indicando a necessidade de outras intervenções urbanas.

