O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, contestou a proposta do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) de aplicar uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros. A contestação ocorreu após o USTR concluir que o Brasil falhou em impedir a circulação de mercadorias feitas com trabalho forçado.
Em carta enviada ao USTR, o Itamaraty rejeitou a avaliação americana, classificando as conclusões da investigação como “errôneas” e “arbitrárias”. O ministro Vieira afirmou que o relatório ignorou informações sobre as leis e ações de fiscalização brasileiras no combate ao trabalho análogo à escravidão.
O governo brasileiro argumenta que medidas unilaterais baseadas na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA são incompatíveis com o sistema multilateral de comércio. O Itamaraty defende que divergências comerciais devem ser resolvidas pelos mecanismos de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC).
O ministro também rebateu a acusação de falha na fiscalização. Segundo o governo, a identificação de violações demonstra o funcionamento dos mecanismos de inspeção. Como exemplo, o governo federal resgatou 2.772 pessoas em situação de trabalho análogo à escravidão em 2025, um aumento de 26,8% em relação a 2024, conforme dados da Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT).

