Uma mulher de 62 anos foi resgatada após mais de cinco décadas trabalhando em condições análogas à escravidão no Ceará. A investigação, iniciada em junho de 2026, apurou que a trabalhadora começou a prestar serviços à mesma família em 1971, quando tinha sete anos de idade.
A trabalhadora iniciou suas atividades domésticas ao lado de sua irmã, enquanto os filhos da família empregadora tinham acesso à educação formal. Após o falecimento da mãe, ela permaneceu no núcleo familiar. Segundo relatos, ela foi “dada” por sua mãe a uma das filhas da antiga empregadora. Em 1982, mudou-se para a residência da filha, cuidando dos três filhos do casal, e em 2014, foi transferida para outra residência do grupo familiar.
Na época do resgate, a mulher cuidava de duas crianças de 11 e 7 anos, além de executar todas as tarefas domésticas. Sua rotina começava diariamente por volta das 4h30, preparando o café da família. Durante todo o período, ela não recebeu remuneração regular, permanecendo analfabeta e em completa dependência econômica, enquanto os empregadores construíam patrimônio.
A Auditoria-Fiscal do Trabalho (AFT) constatou que a trabalhadora jamais recebeu salário mensal. O resgate foi realizado pela AFT, vinculada à Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT) do Ministério do Trabalho e Emprego, na quinta-feira (3). A AFT estimou que os créditos trabalhistas, incluindo salários e verbas rescisórias, ultrapassam R$ 1,5 milhão.
O Ministério Público do Trabalho firmou um Termo de Ajuste de Conduta (TAC). Os empregadores assumiram obrigações, como o pagamento de R$ 50 mil em dez parcelas e a aquisição de um imóvel residencial em favor da trabalhadora no valor mínimo de R$ 150 mil.

