A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) concedeu, na última terça-feira (7), o diploma póstumo de bacharel em Ciências Econômicas a um estudante assassinado durante a ditadura militar em 1971. O ato ocorreu no Palácio Universitário e foi recebido pela irmã do homenageado, jornalista Hildegard Angel.
O estudante, nascido em Salvador em 11 de janeiro de 1945, cursava Ciências Econômicas na UFRJ e se envolveu na militância política da Dissidência Estudantil do PCB da Guanabara. Documentos de repressão política apontam o jovem como participante de operações armadas. Um relatório do Inquérito Policial Militar (IPM) acusa o estudante de participar da ação ligada ao sequestro do embaixador norte-americano Charles Burke Elbrick, em março de 1970.
Em maio de 1971, o estudante foi usado como isca e, segundo relatos, foi torturado até a morte por agentes do CISA para forçar a revelação do paradeiro de Carlos Lamarca. A Comissão Nacional da Verdade (CNV) analisou uma fotografia de um crânio encontrada em canteiro de obras da construtora CETENCO, que apresentou semelhança morfológica craniofacial com as imagens do estudante.
Durante a solenidade, a irmã do homenageado afirmou que “A gente não pode se dominar pelo medo. Porque esse medo contagiante alimenta os ardis para retomarem a ditadura, a tirania, para entregarem o Brasil a outro país.” O reitor Roberto Medronho concluiu que o diploma “afirma com toda força simbólica da universidade pública brasileira que [o estudante] é e sempre será filho da UFRJ”.

