Um canal de mais de 45 quilômetros no noroeste de Guayaquil, Equador, funciona como depósito de cadáveres a céu aberto, conhecido como ‘Canal da Morte’. O local, situado em Nueva Prosperina, distrito com alta violência, registra o descarte de dezenas de corpos.
O canal, originalmente projetado para irrigação agrícola, acumula corpos e água contaminada, segundo moradores. A área carece de iluminação pública e câmeras de segurança, e o acesso é controlado por homens armados, conforme relatos locais. Em 2025, o Equador registrou uma média de um homicídio por hora, de acordo com dados oficiais.
Desde 2023, a polícia forense removeu mais de 100 corpos do canal. Em um dos achados, foi encontrada uma vala contendo nove cabeças, braços e torsos. Um policial da unidade que investiga mortes violentas afirmou que o local é usado para o descarte de corpos após execuções.
O Comitê das Nações Unidas para o Combate aos Desaparecimentos Forçados (CED) relatou, em março, ter recebido denúncias de pelo menos 51 casos de desaparecimentos supostamente cometidos por agentes do Estado desde 2024. O presidente Daniel Noboa governa sob um estado de exceção, mas a criminalidade persiste na cidade de quase três milhões de habitantes.

