O governo federal tem duas semanas antes do recesso parlamentar para destravar projetos de interesse do Palácio do Planalto no Congresso. A meta é evitar a aprovação de propostas de alto impacto nas contas públicas, conhecidas como pautas-bomba. O semestre legislativo encerra em 17 de julho, e o Parlamento tende a esvaziar a partir de agosto.
Articuladores do presidente Lula priorizam temas parados no Senado. Um desafio adicional é o afastamento entre o presidente e o presidente da Casa, que sinalizou que alguns temas só avançarão após conversa entre os dois. A nova líder do governo no Senado afirmou buscar restabelecer a relação institucional entre os chefes dos Poderes.
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do fim da escala de trabalho 6×1 é prioridade número 1 do governo, visando ser uma marca da gestão. Governistas atuam para que a votação ocorra antes das eleições, apesar de sinais dúbios do presidente do Senado sobre a tramitação. Outras prioridades incluem a PEC da Segurança Pública e o projeto das terras raras, este último cobrado devido às novas sanções americanas.
O Executivo também busca evitar o avanço de propostas com alto impacto fiscal. Há apreensão com uma PEC no Senado que cria regras especiais de aposentadoria para agentes comunitários de saúde, com impacto estimado de R$ 30 bilhões em dez anos. Além disso, governistas querem priorizar temas como a criminalização da misoginia, que teve requerimento de urgência aprovado na semana passada.

