O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, procurou a líder do governo no Senado, Teresa Leitão, para se queixar de declarações de um deputado do PT na Câmara. O parlamentar acusou o senador de ser tratado como “inimigo dos trabalhadores” caso não pautasse a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que altera a jornada de trabalho 6×1.
A PEC, considerada prioridade do governo federal, foi aprovada na Câmara em 27 de maio, mas não avançou no Senado. Alcolumbre sinalizou a auxiliares que a tramitação de temas só ocorreria após conversa com o presidente, o que não tem previsão no curto prazo, segundo aliados do petista.
Em resposta, a Presidência do Senado divulgou nota afirmando que “esse tipo de ameaça e tentativa de intimidação não será mais tolerado”. O senador declarou que a definição da pauta é prerrogativa constitucional e não se submete a pressões político-eleitorais, alertando que qualquer constrangimento representa afronta à independência entre os Poderes.
Relatos indicam que Alcolumbre telefonou para Teresa Leitão, reiterando os termos da nota. O presidente do Senado já vinha manifestando insatisfação com ataques de governistas e militância petista. Governistas reconhecem que a tramitação da PEC 6×1 no Senado deve iniciar após o recesso parlamentar, em agosto, mas não há garantias de início antes das eleições de outubro.


