Um meia de 18 anos, de ascendência marroquina e nascido na França, optou por representar Marrocos na Copa do Mundo. O jogador, que cresceu no sistema de base francês, aceitou o convite motivado pelo orgulho de suas raízes, em um movimento que resgata a história da diáspora no futebol.
O atleta, que atuava pelo clube Lille, teve passagens pelas categorias de base da seleção francesa. Contudo, o chamado de Marrocos prevaleceu. O país, com raízes históricas profundas, foi parte do território que, após o neocolonialismo, foi particionado entre França e Espanha entre 1912 e 1956.
A França possui a maior diáspora norte-africana do planeta, com estimativas apontando mais de 1,5 milhão de marroquinos no país. Essa migração foi impulsionada pela busca por melhores condições de vida após a independência de Marrocos em 1956. O legado colonial deixou marcas, como a manutenção do idioma francês por cerca de 35% da população marroquina.
A relação entre os dois países se manifesta no esporte. Um exemplo histórico é Just Fontaine, que marcou 13 gols na Copa de 1958, sendo nascido em Marrocos, mas filho de europeus. Hoje, além do jovem, há outros cinco atletas nascidos na França no elenco marroquino, que expressam um eco da história da diáspora.


