A ditadura da Nicarágua suspendeu o registro profissional de 2 mil advogados independentes e críticos ao regime sandinista. A Corte Suprema de Justiça removeu os nomes dos profissionais da plataforma digital do Poder Judiciário, inviabilizando o exercício da profissão no país.
A suspensão do registro profissional impede que réus escolham defensores fora do círculo de apoio do governo. Policiais e assistentes jurídicos notificaram os advogados sobre a cassação das licenças ao chegarem aos fóruns de Manágua. A oposição política e juristas exilados classificaram o ato como uma decretação de morte civil.
O grupo de especialistas da Organização das Nações Unidas (ONU) condenou o expurgo institucional. O jurista Reed Brody, integrante do comitê internacional, declarou que o país descumpre os requisitos mínimos de independência do Judiciário. O analista afirmou que o cancelamento de cadastros sem processo legal prévio liquida o último canal de defesa dos cidadãos.
A frente oposicionista Liberales Nicaragua protestou contra a decisão da cúpula judicial. O movimento declarou que a dinastia governante transformou o direito em instrumento submetido aos desejos do Palácio Presidencial. O regime, controlado pelo ditador e sua esposa há quase duas décadas, mantém centenas de opositores detidos em presídios de segurança máxima.

