A Polícia Federal aponta que a servidora da Câmara dos Deputados, Mariângela Fialek, foi peça central em um esquema de manipulação de emendas parlamentares ligado ao ex-deputado Valdemar Costa Neto. A investigação, que resultou no bloqueio de R$ 119,2 milhões, detalha como a funcionária organizava o fluxo de recursos sem que o parlamentar exercesse mandato.
O relatório enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) indica que a servidora era a “personagem principal” de um “arranjo funcional informal”. Este arranjo visava operacionalizar indicações de emendas em nome de Valdemar Costa Neto, que não possuía mandato parlamentar para indicar recursos orçamentários. A PF afirmou que a funcionária centralizava e organizava o fluxo das emendas, seguindo orientações do ex-deputado.
A extração de dados do celular da servidora foi um elemento chave da investigação. O conteúdo do aparelho revelou um “arranjo decisório paralelo” para a destinação de verbas públicas. Mensagens mostram que ela era acionada por pessoas ligadas a Valdemar Costa Neto, que aparecia como responsável pela definição das emendas, mesmo sem exercer mandato. Um interlocutor ligado ao ex-deputado informou à servidora que ele pretendia destinar cerca de R$ 24 milhões para a área do Turismo.
Para ocultar a participação do ex-deputado, a servidora alterava listas encaminhadas aos ministérios, fazendo constar deputados federais com mandato como solicitantes. Planilhas apreendidas no celular e na sala de trabalho da servidora continham referências como “do Valdemar” ou “do VCN”. A PF concluiu que o papel da servidora era justamente mascarar a origem das indicações.

