O temor de um super El Niño elevou as cotações do café conilon e do arábica nas bolsas internacionais. O fenômeno climático preocupa produtores do Espírito Santo, um dos maiores produtores do Brasil, com risco de redução na safra futura. A alta pode ser repassada ao consumidor nos próximos meses.
A valorização do café foi expressiva em bolsas globais. Na Bolsa de Londres, referência para o conilon, o preço subiu quase 20% em menos de um mês. Na Bolsa de Nova York, que negocia o arábica, a alta atingiu 30% no mesmo período. Em uma única segunda-feira, as cotações registraram avanço de até 16%, equivalente a cerca de US$ 60 por saca.
Segundo Jorge Nicchio, vice-presidente do Centro do Comércio de Café de Vitória, a disparada dos preços se deve a três fatores: o risco de impacto do El Niño na próxima safra, a produção atual menor que a esperada e a atuação de fundos financeiros no mercado internacional. O fenômeno climático deve causar mais chuvas na Região Sul e estiagem no Norte e Nordeste, além de elevar a temperatura nacional entre novembro e janeiro.
Apesar da alta no mercado, alguns consumidores relatam leve redução nos preços recentemente, o que pode ser explicado pela alta expressiva ocorrida em 2025. Contudo, o economista Guilherme Dietze afirma que, com a baixa oferta mundial e o risco climático, os preços podem se manter altos nos supermercados, com os efeitos mais intensos previstos para o segundo semestre de 2026.
O governo do Espírito Santo já discute medidas de proteção aos agricultores. Enio Bergoli, secretário de Estado da Agricultura, informou que foram acordadas com bancos estratégias para adiar parcelas de crédito e que será lançado um programa de crédito rural estadual.

