Uma mulher de 62 anos foi resgatada em um condomínio de luxo em Eusébio, Ceará, após trabalhar como doméstica para a mesma família por 55 anos. A denúncia anônima levou à fiscalização do trabalho e da Secretaria de Direitos Humanos do Ceará, que apontaram a exploração intergeracional. Os auditores fiscais estimam que a trabalhadora tem direito a cerca de R$ 1,5 milhão em indenizações.
A situação foi revelada após denúncia anônima ao Disque 100. A história da trabalhadora, segundo a antropóloga Vera Rodrigues, atravessou no mínimo três gerações. A fiscalização indicou que a relação de trabalho começou no fim da década de 1960, quando a mãe da trabalhadora prestou serviços a um casal. Em 1971, a trabalhadora, que começou a trabalhar aos sete anos, foi trazida de volta ao local.
A exploração se estendeu por décadas, passando por diferentes membros da família. O Ministério do Trabalho, por meio de sua diretora de Fiscalização, Dercylete Lisboa, afirmou que o caso demonstra uma relação de transmissão patrimonial. Psicólogos envolvidos no caso explicaram que a oferta de moradia e alimento frequentemente justifica a exploração sem proteção social.
Após o resgate, a trabalhadora permanece na residência, pois a avaliação dos órgãos de fiscalização aponta dependência econômica e emocional. O Ministério Público do Trabalho e a família celebraram um Termo de Ajuste de Conduta (TAC). O acordo prevê o pagamento de R$ 50 mil em verbas rescisórias e a compra de um imóvel para a trabalhadora, no valor mínimo de R$ 150 mil.

