A Controladoria-Geral da União (CGU) utiliza um sistema de inteligência artificial, batizado de Alice, para analisar contratos públicos. A ferramenta identificou riscos em mais de R$ 30 bilhões em licitações em 2024, resultando em 212 auditorias preventivas e R$ 1,25 bilhão em benefícios financeiros para o governo federal.
O sistema opera de forma automatizada, coletando dados de compras públicas e aplicando mineração de texto para buscar inconsistências, como sobrepreço ou direcionamento a fornecedor específico. Ao detectar um risco, a Alice dispara um alerta para a equipe de auditoria, permitindo intervenção antes da assinatura do contrato.
Douglas Leonardo Nunes Santana, arquiteto de software especializado em auditoria digital, afirmou que a IA deve ser uma ferramenta de apoio. Segundo ele, “a inteligência artificial deve atuar como ferramenta de apoio ao trabalho dos auditores e gestores, ampliando sua capacidade analítica, mas mantendo a decisão final sob responsabilidade humana”.
O avanço da tecnologia no Brasil segue tendências internacionais, como o movimento de “open contracting”. Em abril de 2026, o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos instituiu uma política de governança de IA, estabelecendo diretrizes para supervisão humana e segurança da informação no uso dessas ferramentas.

