O Arquivo Nacional e a Caixa Econômica Federal negociam um Acordo de Cooperação Técnica para digitalizar 158 cadernetas de poupança de pessoas escravizadas do século 19. Os documentos foram localizados durante um levantamento solicitado pelo Ministério Público Federal (MPF) em um inquérito civil que apura o destino desse patrimônio.
Os registros contêm informações detalhadas sobre nomes, profissões, endereços e movimentações financeiras de escravizados que conseguiram formar pecúlio antes da abolição. Segundo a diretora-geral do Arquivo Nacional, as tratativas avançam em etapas, e a próxima fase inclui uma nova inspeção técnica no acervo para avaliar o estado de conservação dos livros contábeis.
As cadernetas preservam mais que dados bancários; elas narram histórias. Um registro, por exemplo, pertenceu a uma lavadeira de 27 anos, identificada como escrava de uma proprietária, e aponta que ela residia na região da Pequena África, no Rio de Janeiro. Historiadores explicam que o pecúlio representava a esperança de alforria para muitos escravizados urbanos.
O MPF instaurou o inquérito civil após receber uma representação de uma organização do movimento negro questionando o destino dessas poupanças. A Caixa Econômica Federal afirmou que reconhece a relevância histórica do acervo e está em tratativas para a digitalização, preservação e publicidade dos documentos.

