A inteligência artificial está sendo usada para recriar pessoas falecidas, um fenômeno denominado “necromancia digital”. A prática envolve a manipulação de vozes e imagens de indivíduos mortos para gerar conteúdos digitais, levantando debates éticos sobre o luto e a propriedade da imagem.
A tendência, que ganhou visibilidade após a morte do ator Sam Neill, aos 78 anos, e do fisiculturista Gabriel Ganley, aos 22 anos, transforma a memória em conteúdo. Especialistas apontam que a criação de avatares deixou de depender de conhecimento técnico avançado com a popularização de ferramentas como ChatGPT e Claude, que geram os chamados “robôs de luto”.
Elaine Kasket, professora de psicologia da Universidade de Bath, afirma que o uso indiscriminado pode distorcer a memória e transformar o luto em um produto. Ela defende a criação de um modelo de direitos da personalidade que se estenda além da morte física para limitar legalmente a replicação de restos digitais.
No Brasil, o caso da Volkswagen, que usou IA para criar um dueto com a cantora Elis Regina em 2023, gerou investigação do Conar. Kasket alerta que a regulamentação não acompanha a velocidade da tecnologia, permitindo que figuras públicas se tornem alvo de interesses comerciais ou políticos.

