O ciclo de investimentos em inteligência artificial gera lucros recordes para fabricantes de chips e infraestrutura, mas cria um desequilíbrio no mercado de tecnologia. Empresas focadas em IA se beneficiam enormemente, enquanto outras enfrentam dificuldades por conta da realocação de capital corporativo.
A demanda insaciável por processadores de IA impulsiona resultados expressivos em empresas como a Taiwan Semiconductor Manufacturing. Segundo a companhia, as vendas de junho atingiram um novo recorde, mantendo o ritmo de lucros elevados. Este cenário se repete no ecossistema de semicondutores, onde fornecedores de memória de banda larga, como a Micron Technology, reportaram lucros máximos devido à escassez de suprimentos.
Em contraste, a IBM apresentou um panorama diferente. De acordo com o relatório a acionistas, o segmento de Infraestrutura da empresa teve queda de 7% nas vendas anuais. A queda não ocorre por falta de investimento tecnológico, mas porque os clientes concentram seus orçamentos quase inteiramente em soluções de IA, diminuindo verbas para sistemas legados.
Este fenômeno espelha a parábola do “janelão quebrado”, ilustrada pelo economista francês Frederic Bastiat. O gasto visível na substituição de janelas gera ganhos claros para o vidraceiro, mas os negócios sacrificados em outras áreas permanecem invisíveis. A infraestrutura de IA produz um efeito similar, gerando riqueza para fabricantes de semicondutores e atrasando investimentos em outros setores.

