A Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (Abep) criticou a proposta do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de criar o “Selo Acurácia Eleitoral” nesta terça-feira. A entidade afirmou que a medida parte de premissa equivocada sobre o papel das pesquisas, alertando que o mecanismo pode estimular práticas oportunistas e enfraquecer o rigor metodológico.
A Abep, que inclui institutos como Datafolha e Quaest, declarou que as pesquisas medem a intenção de voto no momento da coleta, e não são “previsões nem promessas de resultados”. Segundo a associação, “exigir que uma pesquisa ‘acerte’ o resultado é confundir ciência com bola de cristal”. A organização argumenta que o selo cria um incentivo “perverso”, pois o foco passa a ser maximizar a chance de prêmio, e não produzir a melhor pesquisa.
A entidade manifestou preocupação com a Justiça Eleitoral assumir o papel de “árbitro de qualidade”. A Abep explicou que a avaliação de um levantamento deve considerar metodologia, desenho amostral e transparência, e não apenas a proximidade com um resultado futuro. A associação reforçou o respeito ao TSE, mas pediu que iniciativas como essa sejam construídas em diálogo com a comunidade científica.
A proposta, apresentada após reunião com representantes de institutos, visa reconhecer empresas cujas projeções tenham maior aderência aos resultados das eleições de 2026. O ministro Kassio Nunes Marques, presidente do TSE, disse que o documento é uma proposta inicial e que o tribunal continuará recebendo sugestões até a próxima sexta-feira.

