O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) aponta que um ex-auditor fiscal, apontado como o ‘cérebro’ do maior esquema de corrupção do Fisco paulista, utilizou o celular de seu namorado para orientar outros investigados. O ex-fiscal é suspeito de movimentar mais de R$ 1 bilhão em propinas em um esquema de ressarcimentos tributários.
Os promotores informaram que o ex-auditor teria enviado cartas a antigos colegas da Secretaria da Fazenda e a operadores do esquema. Nesses textos, ele orientou os destinatários a não firmar acordos de colaboração premiada e detalhou estratégias para manter ocultas criptomoedas avaliadas em mais de R$ 100 milhões. A investigação sustenta que o ex-auditor usou o telefone de seu namorado, Francisco de Carvalho Neto, para se comunicar com um advogado e encaminhar documentos.
O ex-auditor, que foi solto em 29 de maio, teria entrado em contato com outros acusados durante 12 dias, período em que estava proibido pela Justiça de manter comunicação com investigados. A perícia no aparelho apreendido em Ribeirão Pires identificou imagens dos textos. Um documento enviado em 4 de junho, intitulado “Carta para Nina”, continha a afirmação de que o ex-auditor conseguiria anular as investigações contra o grupo.
O Grupo de Atuação Especial de Repressão aos Delitos Econômicos (Gedec) classificou o método de comunicação como um “canal clandestino de comunicação” criado para burlar a ordem judicial. Além disso, o MP-SP identificou mensagens e chamadas de vídeo que, segundo os promotores, demonstram o descumprimento deliberado da ordem judicial.

