A indústria brasileira busca os Fundos Constitucionais de Financiamento (FCFs) devido às taxas de juros reduzidas, que atraíram 94% das empresas que contrataram crédito entre 2022 e 2025. Contudo, levantamento da CNI e do MIDR revela que 4 em cada 10 empresas desconhecem a política pública, e a burocracia é um obstáculo persistente.
Os FCFs, que financiam o desenvolvimento das regiões Norte (FNO), Nordeste (FNE) e Centro-Oeste (FCO), rompem a lógica do mercado de crédito tradicional, com os juros atuando como principal atrativo. Segundo a analista de Políticas e Indústria da CNI, Julia Dias, a política pública conseguiu sanar o gargalo do custo do crédito no país. Além do baixo custo, 56% das empresas citaram prazos de pagamento e carência como motivo para contratar o financiamento.
Apesar do interesse, problemas estruturais impedem o acesso. Quase 38,1% das indústrias afirmam desconhecer a existência dos fundos. Entre as empresas que conhecem a política, 38,5% desistiram por causa da burocracia ou da demora na análise. Outro dado aponta que 38% das que buscaram o crédito consideraram excessivas as garantias exigidas pelos bancos operadores.
Os recursos são aplicados majoritariamente em investimentos de longo prazo. A compra de máquinas e equipamentos foi o destino principal para 56% das empresas beneficiadas. O impacto foi considerado positivo por 88,6% das indústrias, que citaram modernização da produção, expansão de capacidade e geração de empregos como resultados.

