O Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos (Cira-SP) deflagrou, nesta quarta-feira, 15, a Operação Distrato, visando um esquema que causou um rombo de R$ 3,8 bilhões aos cofres públicos. A ação mobiliza agentes em São Paulo, Campinas, Jundiaí, Ribeirão Preto, Londrina e Cambé, cumprindo 38 mandados de busca e apreensão.
A ofensiva investiga um grupo econômico ligado a um advogado de grande escritório, que teria usado firmas de fachada e companhias inativas para emitir notas fiscais falsas. Esse método gerava créditos fictícios de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), que eram transferidos para empresas parceiras para reduzir o imposto real devido ao Fisco.
Escritórios de advocacia e consultorias atuavam no esquema, elaborando contratos fictícios e produzindo laudos jurídicos falsificados. Os golpistas tentavam enganar auditores fiscais alegando que os créditos tributários vinham de desapropriações antigas ou de massas falidas. O Cira-SP abriu quase mil procedimentos internos para cruzar dados de 850 empresas suspeitas.
A Justiça de São Paulo determinou o bloqueio de contas e bens dos principais líderes envolvidos. A advogada Mayra de Paula, apontada no inquérito como parceira de negócios do advogado, é alvo das buscas no Paraná. A Secretaria da Fazenda de São Paulo já enviou autuações de cobrança para 752 companhias beneficiadas.

