A Chai Discovery, desenvolvedora de modelos de inteligência artificial para desenho de anticorpos, captou US$ 400 milhões em rodada Série C. O aporte elevou o valor de mercado da companhia para US$ 3,8 bilhões, quase o triplo da avaliação anterior. A empresa também fechou acordos de licenciamento com Pfizer, Eli Lilly e Novartis.
O produto principal da empresa é o Chai-3, um modelo de inteligência artificial que visa o desenho de anticorpos. Segundo a companhia, o Chai-3 dobra a taxa de sucesso em relação à geração anterior, alcançando acerto de 35% a 40% nos alvos moleculares testados. O método tradicional de descoberta de anticorpos exige testar milhões de moléculas, um processo que modelos como o da Chai Discovery buscam reduzir ao indicar candidatos com maior probabilidade de funcionar.
No âmbito comercial, a Chai Discovery firmou acordo de licenciamento com a Pfizer, dando acesso ao Chai-3 e a um modelo treinado com dados proprietários da farmacêutica. Além disso, a companhia assinou contrato com a Eli Lilly e colaborou formalmente com a Novartis para a descoberta de anticorpos terapêuticos. A presidente de pesquisa biomédica da Novartis declarou que a inteligência artificial reformula a descoberta de novos medicamentos.
Apesar do avanço técnico, o setor ainda enfrenta desafios regulatórios. Cerca de US$ 20 bilhões foram investidos globalmente em descoberta de fármacos por IA generativa, mas nenhum medicamento originado dessa forma foi aprovado. O gargalo da indústria migra da bancada de pesquisa para os testes clínicos, onde as taxas de aprovação caem significativamente nas fases avançadas.

