Um economista argumenta que a Bíblia serve como exemplo clássico da concorrência monopolística. A estrutura de mercado, caracterizada por muitos vendedores e produtos diferenciados, aplica-se à disputa entre editoras religiosas.
O conceito de concorrência monopolística, desenvolvido por Edward Chamberlin e Joan Robinson, descreve um mercado com grande número de vendedores e produtos substitutos, mas não idênticos. O autor explica que o marketing transforma um produto básico em algo com valor subjetivo, fazendo o consumidor pagar mais por diferenciação, como ocorre em mercados de vinhos e smartphones.
Na análise, o especialista aponta a Bíblia como o caso mais completo. Editoras disputam o consumidor religioso oferecendo versões distintas, como a Almeida Revista e Corrigida, a NVI ou a CNBB. A diferenciação ocorre em três níveis: a tradução, o design e a interpretação teológica embutida nas notas de rodapé.
O autor afirma que o consumidor acredita escolher a versão “melhor”, mas na prática escolhe uma tradição teológica. A concorrência, nesse setor, gera identidades e lealdades à marca, transformando o texto sagrado em um produto sujeito às leis do marketing capitalista.

