Josep Borrell, ex-alto representante da União Europeia para Relações Exteriores, afirmou que a controvérsia envolvendo o procurador-chefe do Tribunal Penal Internacional (TPI) faz parte de uma ofensiva política maior. A pressão visa enfraquecer a corte internacional responsável por julgar crimes de guerra e genocídio.
Borrell declarou, em artigo publicado em veículos de comunicação, que as acusações de má conduta contra o procurador-chefe Karim Khan correm risco de se tornar um instrumento de pressão política, comprometendo a independência judicial da instituição. O ex-chefe da diplomacia europeia relembrou que, em abril de 2024, senadores norte-americanos advertiram Khan sobre consequências caso ele solicitasse mandados de prisão contra o primeiro-ministro de Israel por supostos crimes de guerra em Gaza.
Apesar das advertências, Khan apresentou pedidos de prisão contra o primeiro-ministro, um ministro da Defesa israelense e um comandante do Hamas. Segundo Borrell, o procurador usou critérios aplicados em investigações contra líderes russos, filipinos e do Talibã. O autor apontou que os Estados Unidos já impuseram sanções contra 11 membros do TPI, incluindo o procurador-chefe, com bloqueio de contas bancárias e serviços financeiros.
O ex-ministro espanhol também mencionou a convergência de interesses entre o governo Donald Trump e o governo de Benjamin Netanyahu, ambos buscando limitar a capacidade do TPI de investigar autoridades acusadas de crimes internacionais. Borrell concluiu que a disputa ultrapassa a figura do procurador e coloca em jogo o papel da Justiça penal internacional.

