A FIFA decidiu repassar recursos de um campeonato mundial a clubes russos e entidades sancionadas, ignorando sanções impostas pelos Estados Unidos e pela Europa. A decisão, apurada por um portal investigativo, coloca a organização sob risco de processos legais internacionais.
O repasse será feito por meio do Programa de Benefícios de Clubes, que destinou 355 milhões de dólares ao Mundial atual. Este valor é significativamente superior aos 209 milhões de dólares distribuídos no torneio anterior no Catar. Os fundos seguem para a Federação Russa de Futebol, que os redistribui entre sessenta clubes.
O problema reside na liderança da Federação Russa de Futebol. Seu presidente é um executivo de uma grande empresa de petróleo, que consta em listas de sanções dos EUA, Reino Unido e Europa. Além disso, clubes beneficiados possuem laços com empresas sancionadas, como o Spartak Moscou, ligado à Lukoil, e o Zenit Petrogrado, ligado à Gazprom.
Uma advogada especializada em sanções explicou que, se o proprietário ou patrocinador principal de um clube estiver sob sanção, é proibido qualquer benefício financeiro. A FIFA, sediada em Zurique, deveria obter uma exceção especial de autoridades suíças ou americanas, mas, segundo a matéria, nenhuma foi concedida.
A especialista afirmou que violar sanções constitui uma forma de crime organizado internacional, passível de detenção de até seis anos. A organização, que suspendeu a Rússia do futebol em 2022, também teve envolvimento em polêmicas recentes sobre a disputa territorial no mapa de qualificatórias para o Mundial de 2026.

