O Brasil registra 55% de nascimentos por cesariana no Sistema Único de Saúde (SUS), segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Pesquisadores do Cepps, do Hospital Israelita Albert Einstein, analisaram dados de 2009 a 2023 e constataram que, enquanto partos vaginais caíram 39%, a taxa de cesáreas aumentou 38% no período.
O estudo, publicado na revista científica Einstein, revela mudanças regionais no padrão de parto. O Nordeste, que historicamente apresentava os menores índices, demonstrou crescimento expressivo na ocorrência de cesáreas. Em outras regiões, o aumento ocorreu em todos os estados, exceto Roraima, onde a taxa caiu de 19,4% para 6,8% em 14 anos.
Especialistas apontam que o aumento cirúrgico impõe maior carga financeira e estrutural ao sistema de saúde. O ginecologista e obstetra Eduardo Felix Santana, um dos autores do artigo, afirmou que o crescimento progressivo das cesarianas representa um aumento importante da carga financeira.
A cultura de cesárea, vista como procedimento mais seguro e indolor, persiste no país. A médica Eliana Amaral, professora da Unicamp, comentou que essa valorização como símbolo de cuidado influencia a escolha. Além disso, o medo da dor leva muitas mulheres ao parto cirúrgico, mesmo com a analgesia sendo um direito garantido por lei, observou o ginecologista e obstetra Henri Augusto Korkes.
Outros fatores incluem a formação médica, que, segundo Korkes, carece de preparo adequado em técnicas como fórceps e vácuo extrator. O ginecologista e obstetra Eduardo Zlotnik, do Einstein, relatou que o receio do parto normal, por ser menos previsível, leva os médicos a preferirem a cirurgia, somado à falta de infraestrutura hospitalar para acompanhar trabalhos de parto longos.

