As expectativas do mercado brasileiro mantêm-se estáveis, mas a projeção média do IPCA para este ano figura em 5,15%, acima do teto da meta de 4,5%. A inflação futura, contudo, mostra sinais de desancoragem, com ajustes para cima nas projeções de longo prazo.
Apesar da percepção de possível desaceleração inflacionária no curto prazo, as previsões para os próximos anos do IPCA sofreram ajustes para cima. Isso indica desancoragem das expectativas, o oposto do que o Banco Central espera com a manutenção dos juros elevados. O horizonte de convergência da inflação para o ponto central da meta, os 3%, foi alterado para o começo de 2028.
A política monetária contracionista do Banco Central deveria reduzir a atividade econômica, mas há uma disputa com o governo, que mantém estímulos ao consumo e à atividade, incluindo linhas de crédito mais acessíveis. O mercado de trabalho, com bons indicadores de emprego e renda, também sustenta a demanda, assim como renegociações de dívidas.
A evolução das contas públicas gera pressão inflacionária, mantendo a curva de juros do mercado pressionada. O ganho na renda fixa deve atingir 7% a 8% ao ano, além da inflação. O Banco Central pode manter a taxa básica em 14% neste ano, prevendo apenas mais um corte de 0,25 ponto em agosto.

