O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o arquivamento das investigações contra o ex-presidente no caso da “Abin paralela” nesta segunda-feira (20). A decisão se baseia no entendimento de que as informações coletadas sobre a estrutura paralela já fundamentaram a condenação do ex-chefe do Executivo por tentativa de golpe de Estado em 2022.
O ministro também determinou a remessa do inquérito ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) para que a Corte prossiga com as apurações contra o filho do ex-presidente. A Polícia Federal (PF) havia indiciado o indivíduo, classificando-o como coordenador de uma estrutura que teria promovido campanhas de desinformação e ataques ao sistema eleitoral e ao STF.
A decisão seguiu parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR), que avaliou que a parte da investigação ligada ao ex-presidente já foi analisada pelo Supremo. Os episódios pendentes, segundo a PGR, envolvem crimes contra a administração pública e não justificam a manutenção do caso na Corte.
A investigação teve início após a divulgação, em março de 2023, do uso do sistema FirstMile, que explorava falha na rede de telefonia para rastrear alvos. A estrutura, apelidada de “Abin paralela”, teria sido montada para produzir dossiês e disseminar notícias falsas. O ex-presidente não foi indiciado nesta parte do caso por já responder pelo crime de organização criminosa no processo da trama golpista.

