A construção residencial voltada à habitação popular demonstra resiliência no mercado, segundo análise do Banco Safra. Apesar do recuo de ações de construtoras entre 30% e 35%, o programa Minha Casa Minha Vida sustenta a demanda, apoiado por fatores estruturais como o déficit habitacional.
Os analistas do Safra observaram que a queda nas ações de construtoras reflete a reprecificação de riscos globais e preocupações inflacionárias, mas não indica piora estrutural na demanda por moradia. O Minha Casa Minha Vida funciona como fonte de retorno para o setor, apresentando menor sensibilidade aos juros e um mercado endereçável amplo.
A Mundo Apto, incorporadora em São Paulo, exemplifica essa força, tendo lançado mais de 20 projetos e ajudado cerca de 4.515 famílias a adquirir moradia. O CEO da empresa, Eduardo Pompeo, afirmou que a decisão de compra está mais ligada à acessibilidade do que às oscilações financeiras de curto prazo.
As condições do programa foram atualizadas em abril de 2026. A faixa 4 passou a atender famílias com renda de até R$ 13 mil, e o valor máximo dos imóveis nessa faixa subiu para R$ 600 mil. Essa mudança amplia o universo de elegíveis e fortalece a procura por empreendimentos alinhados às necessidades reais das famílias.
Apesar da força do setor, o Safra aponta riscos como inflação de custos e endividamento familiar. Contudo, a análise sugere que empresas bem posicionadas, com foco em localização e valor de compra compatível com a renda, mantêm uma leitura construtiva.

