O tempo médio que um brasileiro passa vivendo com problemas de saúde cresceu 20% entre 1990 e 2023, atingindo 12,5 anos, segundo estudo publicado na revista científica The Lancet Public Health. O levantamento, que analisou 204 países, aponta que o Brasil ocupa a 16ª posição mundial nesse indicador de morbidade.
A pesquisa, baseada em dados do Global Burden of Disease 2023, calculou a lacuna de morbidade, que mede a diferença entre a expectativa total de vida e a expectativa de vida saudável. Em 1990, essa lacuna era de 10,4 anos, acima da média mundial de 8,8 anos na época. O indicador cresceu constantemente, chegando a 12,5 anos em 2023, o maior índice da série histórica.
O endocrinologista Clayton Macedo comentou que os resultados exigem priorizar a qualidade de vida, e não apenas o aumento da longevidade. Ele explicou que fatores como diabetes, obesidade e excesso de peso são responsáveis pelo crescimento das doenças crônicas. Globalmente, cinco categorias respondem por 57,4% desse tempo de limitação: distúrbios musculoesqueléticos, transtornos mentais e doenças dos órgãos dos sentidos.
O estudo também mostrou que, embora as mulheres vivam mais que os homens, elas passam mais anos convivendo com doenças. Os autores defendem que as políticas públicas de saúde devem focar em prevenção, reabilitação e cuidados de longo prazo para ampliar os anos vividos com saúde.

