A capacidade limitada da China para absorver a demanda brasileira afetada pelas novas tarifas dos Estados Unidos obriga o mercado nacional a buscar alternativas comerciais internacionais. Felipe Teixeira, especialista em comércio exterior, declarou que a diferença de perfis de consumo e a desaceleração econômica chinesa dificultam uma transição rápida para novos destinos.
Segundo Teixeira, embora a China tenha potencial para aumentar compras, os produtos atingidos pelas tarifas americanas não coincidem com os itens que o mercado chinês costuma adquirir do Brasil. Ele afirmou que é difícil suprir cem por cento dessa demanda, o que forçará empresários brasileiros a procurar outros mercados além da China. O executivo também comentou que o mercado chinês cresce menos que há cinco anos, limitando sua capacidade de absorção rápida.
Teixeira alertou que a indústria chinesa pode se tornar concorrente direta do Brasil no comércio global. Ele declarou que a China priorizará seu próprio mercado, e se houver oportunidade de ampliar a presença de produtos chineses, isso pode gerar concorrência nos segmentos onde a China atua.
Sobre a busca por novos destinos, como países do Sudeste Asiático, o especialista ressaltou desafios operacionais e estruturais. Ele explicou que a mudança exige adaptação das empresas, especialmente em setores como madeira e etanol, e que o empresário brasileiro enfrenta dificuldades com crédito caro ao buscar novos mercados.

