O ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) passou a ser investigado pela Polícia Federal (PF) em um inquérito que apura um suposto esquema de venda de decisões judiciais na Corte. A investigação foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e amplia o escopo da Operação Sisamnes, que apura a comercialização de influência em tribunais superiores.
A abertura da apuração, revelada nesta quinta-feira (23), marca a primeira vez que um integrante do STJ é alvo formal das investigações. A PF apura se decisões proferidas pelo ministro podem ter relação com um lobista apontado como operador do esquema e com a advogada esposa dele. Os investigadores também analisam movimentações financeiras envolvendo um ex-servidor que atuou no gabinete do ministro entre 2019 e 2021.
Por sua vez, o ministro afirmou desconhecer a existência de investigação sobre suas decisões e negou irregularidades. Em nota, o magistrado declarou que possui “trajetória honrada” na magistratura e sustentou que são “completamente improcedentes quaisquer tentativas de associá-lo a fatos criminosos”. A defesa do lobista e da advogada também negou a prática de qualquer crime.
A autorização concedida pelo STF permite à PF aprofundar as diligências, solicitando acesso a informações bancárias e fiscais. Em maio deste ano, a Procuradoria-Geral da República denunciou nove pessoas no âmbito da Operação Sisamnes, mas nenhum ministro da Corte figurava entre os denunciados até então.

