O apoio aos projetos prioritários do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Congresso Nacional caiu significativamente, segundo levantamento da Ética Inteligência Política. Os índices de governabilidade no Senado e na Câmara diminuíram, refletindo o distanciamento com partidos do Centrão e o volume recorde de emendas parlamentares.
A consultoria registrou que o apoio no Senado caiu de 75% no primeiro semestre de 2025 para 38,5% no mesmo período deste ano. Na Câmara, o índice também recuou, de 58% para 38,1%. A análise da Ética Inteligência Política explica essa mudança pelo aumento da autonomia do Legislativo em relação ao Executivo, impulsionada pelo pagamento de R$ 33,89 bilhões em emendas até 4 de julho, o maior valor para um período pré-eleitoral.
A sócia da consultoria, Carolina Venuto, afirmou que o governo enfrenta mais dificuldades para articular prioridades, dependendo de acordos específicos em cada pauta. Ela comentou que, em ano eleitoral, a lógica de alinhamento se intensifica, incorporando interesses de disputas estaduais e alianças eleitorais.
Apesar do volume de emendas, propostas como a PEC que altera a jornada de trabalho e a regulamentação de inteligência artificial seguem paralisadas. Venuto avalia que a dinâmica política se reorganizará após as eleições, definindo o ritmo de tramitação das pautas.

