O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, condicionou o acordo nuclear com a Arábia Saudita à adesão do país aos Acordos de Abraão. O anúncio ocorreu após a assinatura do tratado, que autoriza um programa nuclear saudita para fins civis. A condição imposta por Trump exige que a Arábia Saudita normalize relações com Israel, o que o país ainda resiste.
O acordo, assinado pelo secretário de Energia dos EUA e seu homólogo saudita na quarta-feira, 22, permite que a Arábia Saudita desenvolva seu programa nuclear para usos civis. Trump afirmou que o pacto “depende totalmente da adesão da Arábia Saudita aos muito respeitados e bem-sucedidos Acordos de Abraão”. Ele também declarou que não haverá enriquecimento de material nuclear.
O tratado terá validade de 30 anos, com empresas norte-americanas fornecendo tecnologia para a infraestrutura saudita. O texto adota um sistema bilateral de salvaguardas, dispensando o padrão-ouro de supervisão da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Antes do enriquecimento de combustível, autoridades dos dois países avaliarão a viabilidade comercial do projeto.
Os Acordos de Abraão, criados em 2020, foram inicialmente assinados por Emirados Árabes Unidos e Bahrein. Eles promovem a normalização diplomática e comercial entre Israel e países árabes, sem a criação de um Estado palestino. A capital saudita, Riad, exige, contudo, um acordo de defesa mútua com os EUA nos moldes da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) para avançar nas negociações.

