A autora Walnice Nogueira Galvão defende que o cinema brasileiro não corresponde à vasta quantidade de músicos talentosos do país. Ela sugere que o país deveria aprender com o cinema de Hollywood, que há quase um século se dedica à música.
Galvão afirma que artistas como Ernesto Nazareth mereceriam um filme de longa-metragem, seja ficção ou documentário. Ela menciona que o nascimento do cinema falado foi marcado pela música, com o filme ‘O cantor de jazz’, que mostra Al Jolson cantando. A autora questiona o que falta para que haja mais produções, citando a possibilidade de encontros entre cineastas do Cinema Novo e músicos como Ernesto Nazareth.
Pixinguinha é citado como exemplo de talento, sendo um músico versátil que tocava diversos instrumentos e atuava como arranjador. Ele esteve em Paris na juventude, onde se apresentou em casas noturnas. Suas composições instrumentais, ‘Carinhoso’ e ‘Rosa’, são destacadas por sua potência estética, sendo ‘Carinhoso’ um choro e ‘Rosa’ uma valsa-canção.
A autora analisa as letras de suas obras, mencionando que ‘Rosa’ possui uma estética rebuscada, com vocabulário inusitado, e que contém um verso considerado por Manuel Bandeira como perfeito da língua portuguesa. Galvão, Professora Emérita da FFLCH-USP, conclui que a opulência verbal em algumas obras é uma declaração de amor de difícil execução.

