Dois novos casos de remissão sustentada do HIV foram anunciados na 26ª Conferência Internacional sobre AIDS, realizada no Rio de Janeiro. Os registros elevam o número mundial de pacientes sem carga viral detectável após interromper o tratamento antirretroviral para 13. Os procedimentos, que envolveram transplantes de células-tronco para tratar doenças hematológicas, não configuram cura definitiva.
Os casos ocorreram após os pacientes receberem transplantes de células-tronco para tratar doenças graves do sangue, como leucemia. O procedimento não foi indicado como terapia para o HIV, mas contribuiu para o desaparecimento da carga viral. Em ambos os casos, os doadores apresentavam a mutação genética CCR5-delta32, uma alteração rara que dificulta a entrada das variantes do vírus nas células do sistema imunológico.
Os pesquisadores afirmam que os resultados fortalecem as investigações sobre estratégias para controlar o vírus sem uso contínuo de medicamentos. Contudo, os especialistas explicam que a remissão não significa cura definitiva, pois ainda não há tecnologia para comprovar a eliminação de todas as células infectadas. O HIV pode permanecer em estado latente em tecidos como linfonodos e intestino.
Apesar dos avanços, os especialistas reforçam que os transplantes não devem ser considerados alternativa terapêutica para pessoas vivendo com HIV, devido aos riscos elevados do procedimento. Atualmente, os antirretrovirais continuam sendo a principal estratégia para manter a carga viral indetectável e preservar a qualidade de vida.

