O Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS) alertou nesta segunda-feira (27) para o risco de ressurgimento da epidemia, devido à redução de investimentos em prevenção e tratamento. O alerta foi dado durante a 26ª Conferência Internacional de AIDS, no Rio de Janeiro, e ocorreu em meio ao anúncio brasileiro de ampliar o acesso à profilaxia pré-exposição.
O relatório do UNAIDS indica que a combinação de cortes no financiamento internacional e barreiras de acesso ameaça comprometer décadas de avanços, colocando em risco a meta de eliminar a AIDS como ameaça à saúde pública até 2030. A agência registrou 1,2 milhão de novos casos de HIV e 570 mil mortes relacionadas à AIDS no mundo em 2025, embora esses números sejam os menores das últimas três décadas.
Em resposta, o Ministério da Saúde anunciou que enviará à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) o pedido para que o cabotegravir, um medicamento injetável de longa duração para a profilaxia pré-exposição (PrEP), seja oferecido pela rede pública. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, explicou que o pedido depende da apresentação de um preço adequado pelo laboratório fabricante.
O cabotegravir, aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em 2023, demonstrou eficácia cerca de 69% superior à PrEP oral tradicional em estudos clínicos realizados no Brasil. O ministro também criticou a negociação do lenacapavir, outro medicamento de longa duração, afirmando que o governo não aceitou o preço proposto pela fabricante.

