Pesquisadores brasileiros identificaram os rios atmosféricos como fator principal na intensificação do degelo na Antártica Ocidental e na Península Antártica. Esses corredores de umidade e calor alteram o clima polar e podem contribuir para uma elevação significativa do nível dos oceanos, impactando cidades costeiras.
O alerta foi apresentado pelo professor Heitor Evangelista da Silva, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), durante a 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), realizada na Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói. Segundo o pesquisador, cerca de 90% da umidade que chega às regiões polares é transportada por esses fenômenos, que têm se tornado mais frequentes e intensos.
Os dados do laboratório Criosfera 1, estação científica remota do Brasil na Antártica, mostram que as ondas de calor associadas aos rios atmosféricos passaram de cerca de 25% para quase 80% dos episódios de aquecimento no centro do continente. Um evento extremo em 2022 registrou temperatura 43°C acima do esperado, um nível inédito na história meteorológica da região.
O aquecimento preocupa na Antártica Ocidental, onde geleiras como Thwaites e Pine Island são cruciais para a estabilidade do gelo. O colapso da geleira Thwaites, por exemplo, poderia elevar o nível médio global do mar em cerca de 63 centímetros. Se somado ao derretimento da Pine Island, o aumento pode chegar a aproximadamente 1 metro.
Além disso, a perda de gelo marinho ao redor da Antártica desde 2015 equivale a cerca de duas vezes a área da Groenlândia. Esse processo reduz o albedo, fazendo com que a água absorva mais calor e acelere o derretimento, iniciando uma fase de Amplificação Antártica.

